Álcool
Combustível
Por Luiz Molina Luz
Um dos principais temas de discussão no mundo moderno é o papel da energia na
sobrevivência e no desenvolvimento da civilização humana, e o risco de
destruição do ambiente por uso indiscriminado de energia. A energia pode ser
gerada em usinas atômicas e usinas hidroelétricas, mas boa parte da energia
utilizada hoje provém da queima de combustíveis, que são compostos orgânicos;
por isso a preocupação com os problemas de energia faz parte obrigatoriamente
da consciência dos químicos orgânicos.
Sabemos que os combustíveis fósseis (gasolina, gás
natural) são importantes fontes de energia e matéria-prima para a manutenção da vida e da civilização. No entanto, eles não
são recursos renováveis, isto é, estará esgotado em um futuro próximo, motivo
de preocupação e de decisões. No futuro, contaremos com a energia obtida
da fissão nuclear – igualmente não-renovável
– e a energia de recursos renováveis, que podem ser substituídos periodicamente
pelo crescimento sazonal das plantas.
O conceito de energia renovável provém das seguintes considerações: sem
a influência do ser humano, a Terra recebe energia exclusivamente do Sol e perde energia para o
espaço em um processo equilibrado que mantém a temperatura média constante;
parte da energia recebida do Sol é utilizada pelas plantas para transformar CO2
e H2O em compostos orgânicos, que são utilizados pelos animais para gerar
novamente energia CO2, mantendo constante também a concentração de CO2 na
atmosfera; outra parte é utilizada para transformar água em vapor ou para
movimentar o ar, sendo depois convertida em calor nas chuvas, ventos,
cachoeiras, etc. A energia produzida por usinas hidroelétricas, portanto, não
deve alterar a temperatura média da Terra, pois ela seria mesmo transformada em
calor de uma forma ou de outra, e é renovável porque a água sempre reinicia o
seu ciclo de evaporar e condensar, retornando ás cachoeiras; da mesma forma, a
energia produzida por combustíveis como o etanol (proveniente
da fermentação do caldo de cana) também não é uma energia adicionada ao
ambiente, pois seria transformada em calor de qualquer madeira; e é renovável
porque pode-se plantar mais cana para absorver a energia solar e produzir mais
etanol.
Da cana-de-açúcar, recurso renovável, é
obtido um dos combustíveis utilizados no Brasil: o álcool etílico ou etanol (C2H5OH).
Outros vegetais ricos em açúcar, como beterraba e
frutas, em amido, como mandioca, arroz e
milho, e em celulose, como madeira – principalmente dos eucaliptos -, também
podem ser utilizados para produzir etanol.
Frota verde tenta reviver o Proálcool
O pontapé para a reativação do Proálcool foi dado pelo governo, por meio
da Lei nº 9.660. Entre outros pontos ela instituiu a “frota verde",
obrigando a troca de toda a frota Federal por modelos a álcool num prazo de
cinco anos. As exceções são carros de combate e de transporte de tropas do
Exército. Veículos adquiridos com incentivos fiscais também terão de ser
movidos com o combustível (como táxis), e grupos de consórcio destinados à
aquisição de veículos a álcool terão prazo de duração maior.
Os alcoóis, em excesso de oxigênio, queimam (combustão completa),
produzindo CO2 e H2O. A combustão do álcool limpo contribui para a redução do efeito
estufa e diminui substancialmente a poluição do ar, já que é menos poluente que
os combustíveis fósseis (como gasolina, carvão e diesel), minimizando os seus
impactos na saúde pública.
H3C─CH2─OH + 3 O2 → 2 CO2 + 3 H2O ∆H = - 1.368 kJ/mol
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